Runner e Motivação da semana: Adriele Silva

09:20 Rafaela Marreiros 0 Comments


Hello people, 
Nossa entrevistada de hoje é Adriele Silva, paratleta, recordista brasileira de 100 metros T43, corredora apaixonada e visando chegar às paraolimpíadas através do atletismo ou do triathlon, que tenho certeza que irá conseguir!
Sigo Adriele nas redes sociais e me inspiro em sua história de vida e em seus posts super motivacionais que me fazem lembrar que ficar reclamando da vida não irá fazer nenhuma diferença, mas tomar uma atitude em relação a ela isso sim, irá fazer uma Diferença!
Espero que essa entrevista lhe inspire ou lhe toque de alguma maneira para que você veja os problemas da vida sob uma nova perspectiva e os encare de frente e com a convicção de que você pode SIM resolvê-los!
Espero também que você se inspire na relação passional de Adriele com o esporte e de como ele pode ser um agente transformador na vida das pessoas!

Inspirem-se guys! 
Tenho certeza de que irão gostar!



Quem lhe segue nas redes sociais sabe do seu envolvimento passional com o esporte, é tanto que você é uma paratleta. Conte-nos, como o esporte entrou em sua vida?
O esporte foi o elemento essencial para mim, em outubro de 2012 fui hospitalizada devido a uma infecção generalizada, essa infecção se deu por conta de um cálculo renal que entupiu o canal entre o rim e a bexiga, houve também uma negligência em meu atendimento onde fez com que meu quadro se agravasse. Devido a infecção generalizada e complicações decorrentes dela as extremidades do meu corpo vieram a necrossar, os pés, pontas de alguns dedos das mãos e alguns pontos na parte frontal do cérebro, a necrosse dos pés foi a mais grave e isso levou a amputação dos mesmos. Resumindo, ao todo foram 64 dias no hospital.
Após minha alta comecei a fazer fisioterapia, motora, funcional, respiratória, e um mês após a alta já fui procurar um esporte para me ajudar com a reabilitação, a princípio comecei com a natação e logo no atletismo, desde então, não saí mais.


San Diego Triathlon
Ainda em suas redes sociais, vejo que você está sempre incentivando as pessoas a não desistirem, a persistirem em seus objetivos e acreditarem SIM que TUDO é possível! Compartilho da mesma ideia e concordo 100%, mas sei que muitos encontram desculpas ou acabam achando a “vida” difícil demais e aí desistem no meio do caminho. O que te fez não desistir de continuar vendo o possível no que poderia parecer, a princípio, impossível?
Sim, procuro incentivar as pessoas com minhas postagens, pois foi dessa forma que encontrei motivação para mim nos meus momentos difíceis, sei o quando isso pode ajudar uma pessoa, seja qual for os “problemas” que ela esteja enfrentando. Em momento algum eu pensei em desistir, pelo contrário, a cada dia tinha mais certeza que devia continuar e fazer o melhor, pois acredito que não foi à toa que Deus me permitiu continuar, acredito que eu seja uma ferramenta que Ele utiliza para poder ajudar muitas outras pessoas. Hoje, vejo que as pessoas não se dão conta do quanto a Vida é preciosa, do quanto o corpo de cada pessoa é precioso, vejo que as pessoas que já passaram por algum problema sério de saúde mudam totalmente sua forma de enxergar o mundo, ao contrário de pessoas que nunca tiveram essa experiência, eu até entendo os dois lados, não costumo julgar ninguém, procuro fazer minha parte para que de alguma forma isso possa ajudar as pessoas a enxergarem a vida de outra maneira.

San Diego Triathlon
Além de paratleta, você também será palestrante motivacional, com sua palestra intitulada “Querer e Acreditar”, onde você irá contar um pouco mais de sua história mostrando que tudo que você quer é realmente possível basta acreditar. Você sempre pensou em ser palestrante ou um exemplo de motivação para as pessoas?
Sim, pretento ser paratleta e palestrante, quero poder levar um pouco de esperaça para as pessoas, e mostrar que tudo é possível sim, basta querer e acreditar que será possível. Nunca pensei em ser palestrante, tão menos palestrante motivacional, essa vontate começou aparecer depois de eu ter perdido os pés, vejo que meus posts nas redes sociais mobilizam bastante as pessoas, foi assim que a ideia começou a surgir. 


A corrida, em especial, lhe levou a quebrar um recorde. Você, hoje, é recordista brasileira de 100 metros T43. Você pode nos descrever qual foi seu sentimento ao quebrar um recorde e como você se preparou para esse desafio?
A corrida foi e é essencial para mim, através dela tive muitas conquistas, conheci muitas pessoas, amigos, enfim, o mundo da corrida é gigante e nos leva a lugares incríveis. O recorde brasileiro aconteceu em março de 2014, foi na minha primeira participação em um campeonato como paratleta, no circuito Loterias Caixas CPB, eu comecei a conseguir dar meus primeiros trotes de corrida em janeiro de 2014, ainda com as próteses convencionais do dia a dia que não são as ideais para corrida, logo meu técnico me inscreveu para a competição, T43 é a classificação funcional onde eu me enquadro, especifica para amputação bilateral transtibial (amputação abaixo do joelho), na verdade no Brasil eu sou a única mulher amputada bilateral abaixo do joelho que participa da prova que eu realizei, por este motivo minhas marcas entraram como recorde brasileiro, pois sou a primeira a participar e por enquanto a única. Fico muito feliz por estar sendo a pioneira, e desejo que isso possa chamar atenção de outras meninas que venham se interessar pelo esporte.

Jogos Abertos Bauru 2014
Jogos Abertos Bauru 2014
No Brasil, um paratleta pode “se dar ao luxo” de viver somente da prática de esportes? Como você avalia a questão do paratletismo em nosso país em relação a incentivos econômicos, culturais e sociais?
Não, infelizmente não, os poucos paratletas que hoje vivem somente do esporte já passaram por muitas coisas para chegarem onde estão, infelizmento o Brasil não tem a cultura e tão pouco os incentivos econômicos para o esporte, tanto para paratletas quando para atletas regulares. De alguns anos para cá, os esportes paraolímpicos vem ganhando destaque, isso aconteceu depois das paraolimpíadas em Londres, pois houveram grandes destaques lá, inclusive muitos destaques brasileiros. No meu caso, amputada bilateral, em dois anos de amputação já tive gastos absurdos que em 25 anos da minha vida não tive, minhas próteses convencionais me custaram R$44 mil reais, que foram pagas totalmente com recursos próprios, e as próteses de corrida custam em média R$80 mil reais, essas eu ganhei de um outro atleta amputado, fora o restante dos gastos que um atleta necessita, moradia, alimentação, transporte, saúde, etc.
Infelizmente a realidade no nosso país hoje é essa, sem incentivos sociais, culturais e econômicos.


Jogos Regionais Sorocaba 2014
Quais são suas metas ou sonhos ainda a serem alcançados? Algum deles envolve participar de uma paraolimpíada?
Tenho muitos sonhos e metas para minha vida, e quase todos eles estão relacionados aos esportes. Agora para 2015 pretendo me incluir nas provas de triathlon, e fazer parte da equipe de Paratriathlon Brasileiro, e meu maior sonho e objetivo é participar do IronMan, acredito que será o maior desafio da minha vida.

E como qualquer outro atleta meu sonho também é participar das paraolimpíadas. Hoje, busco os índices do atletismo para possível participação, como também existem grandes possibilidades de participação através do triathlon, ficarei feliz de estar lá por qualquer uma dessas modalidades.

Natação Itatiba
Qual foi sua maior lição de vida aprendida através do esporte?
A cada dia que passa me surpreendo com os esportes, tanto comigo, quanto com outras pessoas, ele é uma ferramente essencial para qualquer pessoa. O esporte trás mais vida as pessoas, conquistas, satizfações, oportunidades, nele todo impossível se torna possível. 

Defina em poucas palavras, o que é a corrida para você?
Corrida é minha chave de partida, a partir dela minha vida está se transformando em algo que nunca imaginei que pudesse acontecer, me renovo a cada dia, e me transformo em uma pessoa melhor.

CPB 1° Prova Recorde. Adriele e seus treinadores.

Que conselho(s) você daria àqueles que veem os acontecimentos da vida como castigos ou problemas insolúveis?
Problemas todos nós temos, costumo dizer que a vida não é perfeita e também não é um mar de rosas, a vida é dura sim, injusta e muitas vezes cruel, porém estar aqui hoje é um presente Divino, e é o melhor presente que qualquer pessoa pode ter, é nosso dever fazer o melhor que podemos para nossa vida, porque o único responsável por nós, somos nós mesmos, a vida tem que ser vivida intensamente, com muita amor, respeito, gentileza e amor ao próximo. Não penso que o que me aconteceu foi um castigo, em momento algum pensei assim, pelo contrário, acredito que foi um enorme presente, e a cada dia que passa consigo compreender mais ainda o porque desse presente, graças a isso hoje sou uma pessoa muito melhor que antes, muitos dos meus conceitos mudaram para melhor, me cuido mais, me respeito mais, e de alguma forma essas mudanças positivas em mim são transmitidas para outras pessoas, e isso me deixa muito feliz. 


San Diego Triathlon








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