DTR entrevista: Lívia França, Nutricionista

08:26 Rafaela Marreiros 1 Comments

Hello people,

Mas uma semana que começa e mais metas criamos para nós. Muitas com certeza envolvem nosso bem-estar e nossa saúde e, se não envolvem, deveriam envolver, né?! O DTR possui um projeto chamado Corrente Fitness do Bem (mas a respeito, é só clicar aqui) que tem como objetivo incentivar nossos leitores a praticarem a atividade física que mais se identificam só que na boa companhia de um amigo (a), primo, namorado (a), cachorro... (why not?! rsrs). E, atendendo aos pedidos de vocês o DTR traz uma entrevista super esclarecedora com a nutricionista Lívia França, que irá tirar muitas dúvidas sobre alimentação, dietas, alimentos light, diet e zero entre várias outras questões que acabam surgindo. Espero que gostem da entrevista e nos digam quais outros tópicos vocês gostariam de ver abordados aqui no blog nesse formato entrevista,ok?!




Lívia, você é nutricionista esportiva, uma área que a cada dia cresce mais. Só, que muito se fala de nutrição esportiva, mas a informação que chega até nós é muito generalizada e acabamos por só ter uma ideia geral do que essa área da nutrição estuda. Conte-nos o que de fato a nutrição esportiva trabalha e quais diferenças existem entre ela e a nutrição clínica em geral.
Por DEFINIÇÃO, a Nutrição Esportiva está focada basicamente em dois grupos de pessoas: os atletas de elite e os praticantes de atividade física. Os mesmos podem apresentar estados fisiológicos, cargas de treinamento e necessidades nutricionais diferentes que precisam de um acompanhamento nutricional bem individualizado. Para isso, o profissional deve ter uma boa noção da fisiologia do exercício, uma base em treinamento e se aprofundar em bioquímica.
Porém, ela não se restringe a isso. Antes de ser nutricionista esportiva, eu sou NUTRICIONISTA, e devo estar apta a atender pessoas das mais diversas faixas etárias com os mais variados objetivos. Seja um atleta de alto nível ou apenas uma pessoa em busca de uma melhor qualidade de vida.
E eu como nutricionista devo orientar e mostrar a importância da prática de atividade física à todos, visto que as pessoas que não praticam algum tipo de exercício estão fortemente propensas à obesidade e doenças correlacionadas.
 Portanto, a nutrição esportiva é para todos. A nutrição deve respeitar suas necessidades, objetivos e estilo de vida. Seja ela nutrição esportiva, funcional, clínica ou qualquer outra especialidade. .
E, o segredo está no estudo, no aprofundamento em cada área, na busca do melhor para aqueles que buscam nosso trabalho.




Eu, que sou praticante e amante de atividades físicas em geral, ensaio há muito tempo uma ida a uma nutricionista esportiva para adequar minha alimentação à fins de correr uma meia maratona. Acho que muitas pessoas devem associar a ida ao nutricionista com a vontade de perder de peso, mas sabemos que vai muito mais além disso. Como nutricionista esportiva e clínica, qual o perfil de seus clientes? Que tipo de pessoas buscam a ajuda de profissionais como você?
Atendo pessoas com os mais variados objetivos. Desde adolescentes que estão em busca de estética até idosos em busca de qualidade de vida. Dentre eles, praticantes ou não de atividade física, pessoas com patologias, comorbidades, entre outras.

Houve-se muito falar em reeducação alimentar, mas do que se trata na prática essa reeducação? Qual a diferença entre uma dieta e uma reeducação alimentar? Qual é a mais eficaz na hora de perder peso?
A reeducação abrange uma mudança em seu estilo alimentar. Significa criar novos hábitos alimentares e levá-los consigo para toda a vida. Nesse processo, a pessoa se conscientiza de grande parte de seus erros alimentares e acaba compreendendo o que precisa ser mudado. Além de que, não há grandes restrições e muito menos proibição. E tudo é feito de acordo com a realidade de cada pessoa, buscando estar sempre próximo da sua realidade, respeitando hábitos, cultura e também o fator sócio-econômico.
A dieta é o primeiro passo para começar a reeducação alimentar.
É lá que começamos a entender os tipos de alimentos adequados à cada horário e por que será importante. Logo, aprendemos também quais substituições são cabíveis a cada momento.
O ponto negativo é a adesão, muitas pessoas não conseguem seguir uma dieta por muito tempo, pois requer muita disciplina. 
Embora seja um processo gradual, é possível obter um emagrecimento de sucesso, além de incorporar hábitos muito mais saudáveis a sua vida.




Com o passar dos anos houve um boom de alimentos mais saudáveis nas prateleiras dos supermercados, muitos com embalagens que indicam 0% gordura trans, 50% a menos de gordura e por aí vai. Eu, particularmente, sei que muitos na verdade não são tão saudáveis como o rótulo indica. Que cuidados devemos ter ao comprar alimentos que possuem essa mensagem no rótulo? Como podemos saber se um pão é realmente integral, por exemplo?
Já faz muito tempo que nos deparamos com produtos light, diet e zero nas gôndolas de supermercado. As novidades no setor alimentício surgem a toda hora!
LIGHT - É considerado aquele alimento que tem uma redução mínima de 25% de atributos específicos, como calorias, açúcar, sal, gordura, carboidrato e colesterol.
DIET – Chamados de alimentos dietéticos, são formulados com modificações especiais para se adequar a diferentes dietas ou indivíduos com necessidades metabólicas específicas. Nessa categoria estão os alimentos com restrição e/ou isenção de nutrientes (carboidratos, proteínas, gorduras e sódio).
ZERO – Geralmente são confundidos com os alimentos diet. O termo zero se refere a uma versão modificada do original sem indicação específica a uma determinada doença. O alimento apresenta restrição ou isenção de algum nutriente em comparação com a versão tradicional.
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Mas geralmente esses produtos sempre vêm cheios de pegadinhas. Por exemplo:
- Existem certos adoçantes light que podem colocar em risco a saúde de pessoas diabéticas, pois contêm açúcares em sua composição.
- Chocolates diet podem ser restritos em açúcar, mas apresentar maior teor de gorduras e calorias quando comparado ao original.
Sem falar nos refrigerantes zero, que contém 0 calorias e 0 açúcares e apresentam uma quantidade absurda de sódio!
Sobre os integrais...Em minhas andanças pelos supermercados, afirmo que grande parte dos produtos à venda como integral, na verdade NÃO É INTEGRAL.
Infelizmente a nossa legislação é falha. A resolução 263/2055 da ANVISA que regulamenta produtos à base de cereais, amidos e farinhas, não estabelece quantidade MÍNIMA para que o produto realmente seja integral. 
Trocando em miúdos, o biscoito pode ser formado por 95% de farinha branca e 5% de farinha integral e ainda assim ser vendida como um produto integral.
Então...O jeito é ter ATENÇÃO na hora de comprar e fazer uma coisa que sempre falo e que sempre vou continuar falando: LEIAM O RÓTULO e saiba de fato o que está comprando. JÁ FIZ UM POST SOBRE ISSO (@liviafrancabutri), CONFIRAM! 
No caso dos integrais, o que você deve observar é se a Farinha integral é o primeiro ingrediente da lista, visto que, estes aparecem em ordem decrescente de quantidade. .
Ainda assim a soma de outras farinhas podem ser maior que a quantidade de farinha integral. Para não cair em pegadinha, dê preferência para os 100% integral.
No caso de produto 100% integral, outras farinhas como por exemplo farinha de trigo enriquecida de ferro e ácido fólico não devem constar. 


Cozinhar é algo que muitos não querem fazer e acabam optando por comer fora. Mas, quando cozinhamos em casa, sabemos que devemos evitar frituras e o uso excessivo de óleo. No meu caso procuro usar o óleo de coco, quando tenho que fritar alguma coisa, mas ele acaba saindo bem mais caro que os outros óleos. Qual óleo tem o custo benefício melhor para usarmos na cozinha?
Na verdade, na maioria das vezes não precisamos de óleo para cozinhar. Claro que podemos usar, mas não é nada obrigatório.
Por exemplo:
Podemos usar frigideira antiaderente para fritar ovos, carnes, peixes e frango.
Podemos cozinhar apenas com água, deixando os alimentos soltarem a sua própria gordura.
E não, não precisa usar óleo no preparo do arroz!!
Mesmo assim, às vezes precisamos usar algum tipo de óleo, seja para uma determinada receita ou para aumentar o valor calórico de uma refeição. Então, qual será a melhor opção?
Oléo de coco é uma das melhores opções! É rico em triglicerídeos de cadeia média e antioxidantes. Porém, tem um ponto negativo, o preço! Às vezes nem todo mundo pode fazer esse investimento. Sendo assim, não podemos afirmar que só essa alternativa é boa para a população!
Se você tem uma alimentação equilibrada e não apresenta nenhum restrição, pode alternar entre azeite ou manteiga.





O glúten é visto por muitos como um vilão dentre os alimentos feitos com cereais e por isso é descartado por muitos em suas dietas. Qual é a verdade nisso? O glúten é realmente um vilão em nossa alimentação?
Não costumo classificar nenhum alimento como vilão ou mocinho, isso transmite um pouco de terrorismo nutricional.
A verdade é que existem casos de pessoas intolerantes ao glúten e de pessoas com doença celíaca, que não produzem a peptidase, enzima responsável pela quebra do glúten. Sendo assim, o consumo de alimentos contendo a proteína provoca sintomas como diarréia, vômitos, dor abdominal, falta de apetite e perda de peso.
A retirada do glúten do cardápio equilibra o organismo dessas pessoas sensíveis a ele, diminuindo os processos inflamatórios, melhorando a absorção dos micronutrientes, o que abre caminho para a perda de peso.
E partindo desse princípio, pessoas que não possuem intolerância passaram a cortar o glúten da alimentação por acreditar que “emagrece” e “seca a barriga”.
Só que não é bem assim! Não há razão para eliminar o glúten da dieta se você não apresenta intolerância a esta proteína. Ao fazer a retirada desse nutriente acabam assim também excluindo grande parte de alimentos que atuam como fonte de carboidratos.
Sem falar que não há qualquer evidência de que o glúten tenha alguma relação com doenças como a obesidade. A perda de peso está relacionada principalmente ao hábito de comer com moderação e não de restringir nutrientes!


Os doces são outros vilões em uma dieta. Os chocólatras, como eu então, sofrem. Como podemos driblar essa vontade de comer doces durante uma dieta ou uma reeducação alimentar?
O desejo por doces vem desde a nossa infância, onde logo no início recebemos alimentos bastante açucarados e passamos a acostumar nosso paladar quanto a isso. E com o passar dos anos, o consumo exagerado de açúcar ou produtos açucarados passa a ser um hábito para muitas pessoas. O ideal é ir diminuindo esse consumo, aos poucos ir deixando de adoçar alguns alimentos, diminuir o consumo de outros, e assim chegará um dia que o doce demais incomodará seu paladar. Isso não significa que não possamos comer um chocolate, mas em tudo devemos procurar moderação. Existem excelentes opções de chocolate com 60,70 e até 90% cacau. O que faz com que em sua composição tenha um menor teor de açúcar. Existem marcas também que já usam adoçantes naturais para adoçar, que também os tornam boas opções. Nesse caso, podemos consumir e quem sabe até obter alguns benefícios.

Todo mundo sabe que o ideal é se alimentar em 3 em 3 horas. Só que existem metabolismos e metabolismos. O meu é bem acelerado, acabo que comendo em menos de 3 horas, no entanto há pessoas que possuem o metabolismo bastante lento. Quais são as vantagens e desvantagens dos dois tipos de metabolismo?
Na verdade, o fato de se alimentar de 3 em 3 horas não significa acelerar ou desacelerar o metabolismo. Quando utilizo essa estratégia, geralmente é para organizar melhor as refeições e poder criar disciplina alimentar em alguns pacientes que tem dificuldade de organização e planejamento. No caso de pessoas que apresentam compulsão alimentar, essa estratégia não é tão válida, pois acaba dificultando o processo. Pois pessoas com compulsão não conseguem se contentar com pequenas porções distribuídas durante o dia. Essa estratégia é bastante relativa e depende muito da anamnese feita em consultório com o paciente.




Infelizmente, ainda vivemos em uma sociedade onde o culto ao corpo ainda é algo muito presente e a cobrança de ter o “corpo perfeito” ainda atinge milhares de pessoas. Você já recebeu clientes que tinham como objetivo alcançar essa “perfeição utópica”? O que você recomenda aos seus pacientes ou às pessoas que possuem essa mentalidade?
Sim, já recebi muitas dessas pessoas. Nesses casos, preciso explicar e alertar alguns pontos importantes sobre o que leva ao corpo perfeito. Gosto de alertar sobre os perigos do uso de esteroides anabolizantes, dos riscos de dietas altamente restritivas, das complicações que podem ser causadas por uso de medicamentos, sobre as farsas das dietas da moda, dentre outros. 
É importante também passar autoconfiança ao paciente, mostrar que não existe corpo perfeito, até porque corpo bonito é aquele que mora uma pessoa feliz dentro.
Além de nutricionista, temos que ter uns traços de psicóloga para poder ajudar nesses casos.  




O DTR incentiva a prática de atividades físicas aliada a uma vida mais saudável, mas sabe que isso deve partir de cada um. Muitos começam uma dieta ou/e entram na academia na segunda-feira e já na sexta já não vão mais ou/e no final de semana enfiam o pé na jaca pra valer. Você, como profissional da área da saúde, que conselhos você daria a nossos leitores que estão buscando um lifestyle mais saudável só que acabam se atrapalhando nas suas próprias desculpas?
Realmente é muito difícil mudar hábitos e rotinas. É complicado querer mudar algo que você passou fazendo há 20 anos em apenas um mês. Eu confesso que não é fácil. Mas o principal fator para ajudar nesse caso é a força de vontade, mas principalmente a disciplina. Apoio de familiares, amigos e o acompanhamento profissional são de tamanha importância. E antes de desistir, lembrar do motivo que o fez começar, refletir sobre quais são suas metas e objetivos, o que você vai ganhar com isso, porque é importante, e o que vai desistir vai trazer de ruim. O caminho é lento, mas aos poucos vai se tornando uma caminhada muito prazerosa. O importante é começar e seguir em frente!







Um comentário:

  1. Muito esclarecedora essa entrevista. A ideia de que existe alimentos do tipo mocinho ou não faz muito sentido. tudo depende do seu estilo de vida e o que você deseja para seu corpo e saúde.

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