#NOMAKEUP: ALINE ROCHA EU FIZ O CAMINHO INVERSO AO DELA

13:26 Rafaela Marreiros 0 Comments


No post de hoje, encerramos a semana com mais uma entrevista a respeito do tema #nomakeup com Aline Rocha, jornalista por formação e professora de inglês por paixão. Um ponto de vista diferente, já que ao contrário do movimento de Alicia Keys para não usar a maquiagem, Aline busca cada vez mais inserir a maquiagem no seu dia-a-dia, já que não era adepta do uso quando mais nova. Espero que tenham gostado dessa nova proposta do DTR de discutir temas em voga e que nos atingem de certa forma. Confiram a entrevista abaixo. :)


Como começou sua relação com a maquiagem? Foi quando pequena? Se sim, como você avalia essa relação?
Então, eu nunca fui a típica garota muito vaidosa apesar dos esforços da minha mãe. Eu nunca tive esse tino pra maquiagem. Eu nunca gostei pra falar a verdade. Tanto é que eu fui sempre muito relutante ao usar maquiagem. Só usava mesmo quando era estritamente necessário. Quando eu fui morar fora, a minha mãe disse assim: “agora não tem jeito, você vai ter que usar maquiagem”. Aí, ela me colocou num curso de maquiagem, eu fiz e do mesmo jeito eu não conseguia trazer a maquiagem para o meu dia-a-dia. Mas, por qualquer insegurança feminina, não sei, toda vez que eu utilizava a maquiagem já tendo as técnicas e podendo melhorar o que eu considero como defeito eu sentia minha autoestima melhor. Eu não conseguia entender o porquê que eu só me sentia bem quando eu conseguia moldar tudo que eu não gostava em mim.  

Mas hoje você consegue entender isso?
Hoje eu consigo.



Uma das coisas que a Alicia Keys fala em seu statement e que tem tudo a ver com o que você fala, é que ela não quer mais cobrir quem ela é. E para isso ela decide ir ao extremo e não usar nenhuma maquiagem. Qual a sua opinião em relação ao que ela pensa?
Eu acho que ela, enquanto pessoa que tem essa influência, ela é um ponto de opinião que vai trazer esse debate e eu acho importantíssimo, eu acho muito legal a iniciativa dela. Porém, eu sempre acredito no bem estar de cada um e cada um consegue seu bem estar de maneiras diferentes. Eu vejo pessoas que não veem a maquiagem em si como algo superficial apenas e sim como uma forma de se sentir mais empoderada, de se sentir melhor consigo mesma e assim conseguir viver o dia-a-dia de uma maneira melhor. Conheço pessoas assim, consigo compreender o pensamento delas e acho importante o que a Alicia Keys faz porque como ela é um centro de opinião pública ela consegue disseminar de forma mais rápida esse debate. E acho que tudo que traz um debate é válido, ainda mais em uma sociedade como a nossa em que a gente vive muito das aparências. Então, certas pessoas que tem esse extremismo como o dela são necessárias. Não que eu seja adepta de que todos sigam essa vertente. Eu acho maravilhoso só o fato das pessoas estarem parando para pensar sobre isso.


E você? Você levaria isso para a sua vida no sentido de #nomakeup? O que você não se vê mais usando ou o que você se vê usando hoje em dia?
Engraçado, mas parece que ao longo da jornada que ela fez pra tirar a maquiagem, eu sou o inverso, eu estou indo atrás da maquiagem, atualmente. Tanto é que eu tenho um kit de maquiagem, mas por uma questão mesmo de tempo e de estar bem comigo mesma e com as minhas feições no dia-a-dia eu não utilizo a maquiagem. Eu sou adepta só mesmo do batom. É uma questão de bem-estar. Eu me sinto realmente melhor, como se eu estivesse me preparando para ir num lugar quando eu boto o batom, não que a maquiagem em si seja tão necessária, mas quando eu saio eu me sinto melhor quando eu paro para fazer a maquiagem hoje em dia por conta das minhas próprias inseguranças como achar que tenho o rosto assimétrico, por exemplo. E eu fiz o caminho inverso ao dela, é isso que eu acho muito interessante. Porque quando eu vi a campanha que ela estava fazendo eu fiquei: “Nossa senhora que maravilha! Porque que ela não fez isso na época que eu era mais nova?!”. Porque eu tive várias brigas com minha mãe por não ser a típica garota vaidosa, por não gostar de ir às compras, por não gostar de maquiagem, etc. E, hoje em dia eu estou atrás disso, mais por uma questão pessoal, porque eu me sinto bem, eu me sinto cuidada e eu faço por mim. E eu acho bonito ela fazer isso para mostrar para as pessoas que é isso que importa: quando você faz para si e não para os outros.


E quanto ao que você falou em relação a sua autoestima. Qual o limite do uso da maquiagem como forma de sentir bem saudavelmente e não como algo que você necessita daquilo para se sentir bem?
Exato, eu acho que o que você falou já resume o que eu penso. Quando passa desse limiar de que você precisa daquilo para se sentir bem já não é saudável porque você não está bem. Quando você precisa de um subterfúgio para poder chegar naquele estado de poder dizer: “eu estou bem”, pra início de conversa você não está bem. Então, eu acho que o que as pessoas precisam é achar aquele ponto de segurança. Não é fácil, é um caminho doloroso e é uma luta eterna na sua vida inteira você vai se deparar com coisas que vão fazer você se sentir menor. A comunicação e os meios de comunicação só intensificam e vendem esse pensamento. Mas, de todo ele se inicia na sociedade. Então, eu acho que a expansão dessa ideia do “perfeito” é muito prejudicial, porque pessoas que começam fazendo isso e com a sua consequente magnificação, as pessoas acabam que tem aquele ideal como básico e não como algo que elas podem chegar a atingir. Elas acham que aquele ali é o ponto base, se você não está naquela base você não é bom o suficiente. E não o contrário que você chegar naquilo ali um dia “nossa que maravilha, que legal”, mas eu sou bem porque eu sou do meu jeito. Mas não, “se eu não for no mínimo daquele jeito eu não sou suficiente”.


E o que é beleza pra você?

Eu acho que a beleza é quando você se sente bem consigo mesma. Eu acho que a beleza vai muito além do físico. Acho que tem pessoas belíssimas que acabam não mostrando isso, não se sentindo assim por conta da mera beleza física que temos como modelo na sociedade. E, eu acho que é um longo caminho que a sociedade tem que trilhar como um todo, como irmãos, como uma humanidade em si, como uma raça, como todo mundo junto para que se chegue ao bem estar comum. Porque conseguindo essa ideia de bem-estar comum a gente consegue se desvencilhar dessas pequenezas que são a beleza externa, o ideal de beleza padrão, a magreza e todas essas outras medidas que tem pessoas que as levam ao extremo para conseguir.


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