DTR ENTREVISTA: BRUNA TOURINHO E SEUS 30 DIAS SEM AÇÚCAR

09:51 Rafaela Marreiros 0 Comments

Dia 16 de outubro (domingo), é o dia mundial da alimentação e nós do DTR preparamos uma entrevista super bacana para vocês. Convidamos a nutricionista Bruna Tourinho para falar um pouco do seu projeto de 30 dias sem açúcar. Já imaginou chocólatras, ficar 30 dias sem chocolate ou doces? hahaha. Mas, se enganam os que pensam que o açúcar só está presente nos doces. O açúcar está presente na maioria dos alimentos industrializados, muitas vezes aparecem disfarçados de “xarope”, por exemplo.

Mas, quem irá falar mais dessa experiência no sugar é a Bruna que decidiu se pôr na pele do paciente e vivenciar os desafios de uma dieta restritiva. Ao ler a entrevista, reflita um pouco de como anda sua alimentação, que hábitos saudáveis você cultiva ou não, como seu corpo se sente em relação a comida que você ingere e se você se sente bem fisicamente com o way of life  que você está levando. Caso não esteja tudo bem com você, talvez seja hora de pensar em mudanças que irão lhe beneficiar a longo prazo. Mudar algum aspecto em nossa vida é sempre difícil no começo, porque não estamos adaptados aquilo, mas com o passar do tempo tudo se encaixa, e aí vemos que a mudança foi para melhor.  

Para quem quiser o contato da Bruna, sigam ela no instagram @brunatourinho.nutri , lá você encontra toda a rotina compartilhada durante o projeto e várias dicas de como levar uma vida equilibrada sem exageros.
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Como surgiu a ideia do projeto 30 dias sem açúcar?
A ideia surgiu do desejo de me colocar na posição do paciente. Muitas vezes surge a necessidade da restrição de açúcar na rotina dele e quis “sentir na pele” um pouco de como ele se sente e também mostrar que é sim possível fazer dar certo através de relatos diários. Tem o outro lado de que eu mesma estava fugindo um pouco do equilíbrio em relação ao açúcar e queria passar por essa fase de ausência total do mesmo e repensar os exageros.

Sabemos que o açúcar e o sal (sódio) estão presentes na maioria dos alimentos industrializados. Quais foram os produtos industrializados que você retirou de imediato de sua alimentação?
Em geral, na rotina diária, consumo poucos alimentos industrializados. Mas basicamente foram os pães, sucos prontos, molho de tomate e outros molhos que continham açúcar na composição (shoyu, barbecue).
Nessa história, introduzi algumas receitas caseiras, como pão e molho de tomate. Receitas simples, mas que demandam um pouco de tempo e paciência.




Vi que você começou a fazer o seu próprio pão integral, batendo massa e tudo. É raro encontrar alguém que faça seu próprio pão, mas ao mesmo tempo você tem ali um alimento sem os produtos químicos e as “enganações” que encontramos nos supermercados. Para quem não tem tempo ou não queira fabricar seu próprio pão, que marcas no mercado são mais fiéis à receita de um autêntico pão integral?
Entendo bem que a correria do dia a dia dificulta um pouco o preparo de pães em casa. Melhor do que indicar marcas, gosto de orientar meus pacientes a aprenderem a avaliar suas escolhas no supermercado. É interessante começar analisando a lista de ingredientes do verso do produto. A ordem da lista sempre começa com o item que vem em maior quantidade e vai decrescendo ao de menor quantidade. Caso desejemos um pão realmente integral, o primeiro ingrediente deve ser trigo integral ou outra farinha integral. Lembrando que a “farinha de trigo enriquecida com ácido fólico e ferro”, que normalmente consta nos rótulos, é uma farinha branca, ou seja, perdeu as fibras e outros nutrientes benéficos para nossa saúde.  Outro fator a analisar são as quantidades de sal, gordura e açúcar, eles devem ser os últimos ingredientes (ou se possível, nem constar no produto). Lembrando que quanto menos conservantes, melhor. Mas se for para citar algumas marcas, vamos lá: existem algumas linhas boas da “Plus Vita”, “Wickbold“, “Nutrella”, etc. Aconselho buscar as versões light e de preferência 100% integrais (sem farinha branca).




Sabemos que quando nos propomos a mudar algum aspecto de nossas vidas o começo é sempre bem difícil. O que foi mais difícil para você no começo do projeto?
Confesso que o mais difícil nem foi dentro de casa e sim as saídas eventuais. Até porque o alimento é algo social. Estamos rodeados dele em aniversários, pequenas reuniões, ele costuma ser o ponto chave de toda confraternização. Depois de estabelecer os limites e encontrar o equilíbrio, tudo se tornou mais natural. Conheci novas opções de alimentos mais saudáveis e aprendi a medir se comeria por exagero ou por necessidade mesmo.





Se manter focado em uma meta, qualquer que seja ela, é o maior desafio. Em termos de dieta então somos rodeados de tentações das mais gostosas possíveis e proibidas também. Como as tentações afetaram vocês? Chegaram a ser um obstáculo durante o projeto?
Não gosto de pensar em alimentos proibidos (apesar de ter de certa forma escolhido o açúcar com vilão por 30 dias). Quanto mais proibido é determinado alimento, mais atraente ele se parece. Aconteceu exatamente isso comigo. Desejei comer muito um doce em um desses eventos sociais e escolhi não ficar extremamente culpada por isso. Comi o tal docinho (em pequenas porções) e segui em frente. Acredito que isso não anula toda a jornada. Importante mesmo é aprender a ter equilíbrio na vida.


Substituir um ingrediente que está presente na maioria dos alimentos não é fácil, exige criatividade de nossa parte. Quais os outros ingredientes pelos quais vocês substituíram o açúcar?
Normalmente açúcares de frutas (banana, passas) e o próprio adoçante. Lembrando que na hora de consumir adoçantes existem opções naturais, como a estévia, por exemplo. Considero importante conferir com um profissional a indicação para uso de adoçantes artificiais.

Sabemos que tudo é uma questão mental e de adaptação. Após os 30 dias do projeto como você avalia sua necessidade por açúcar ao comparar com seus hábitos anteriores?
Acredito ter aprendido a ser moderada no consumo de açúcares. Nosso paladar muda um pouco e aprendemos a reduzir consideravelmente o gosto por doces. Também aprendi a ser mais vigilante nos exageros, diminuindo os docinhos fora de hora (quem não ama brigadeiro que atire a primeira pedra. rsrs ) Tem sido importante ter mais consciência, aprendizado este que permanece até hoje. As vezes erramos, noutras acertamos, mas sempre na busca por melhorar.

Além do açúcar, há outros ingredientes que você se vê substituindo em sua alimentação? Se sim, quais são eles?
Atualmente não desejo viver restrição total e absoluta de nenhum alimento. Acredito ser mesmo interessante variá-los. Acho que essa foi a grande descoberta desse projeto. Claro que há casos e casos. Essa é a realidade para mim, mas pode não ser a necessidade de outros. Conhecer sabores novos a cada dia e ter acesso a nutrientes variados é o meu atual projeto.

Para quem está pensando em se abster de algum ingrediente como arroz, por exemplo, ou aderir a uma dieta muito restritiva, que dicas você daria para essas pessoas? Quais seriam os principais passos a seguir para que haja um equilíbrio na alimentação desse indivíduo?
O primeiro passo é organização. Saber como será a alimentação seguinte e estar preparado para os contratempos fazem uma diferença enorme. Separar lanches, preparar refeições com antecedência ou escolher um local com opções saudáveis de alimentação são estratégias importantes para manter bons hábitos à mesa. Não esqueça de manter os alimentos que deseja evitar fora de vista (Lembrando daquele ditado: O que os olhos não veem, o coração não sente).

Para quem busca hábitos de vida mais saudáveis, o que seria imprescindível em sua opinião para se obter um equilíbrio entre a alimentação regrada e as escapadas em um chocolate ou uma pizza no fim de semana?
A dica principal, creio eu, é autoconhecimento. Precisamos conhecer nossos limites e ter força de vontade para lidar com as batalhas diárias da mente. É preciso mesmo uma reprogramação para fazer mudanças muito grandes na nossa rotina. Equilíbrio é não sentir culpado porque comeu algo fora da “lista permitida” mas seguir em frente e retornar à rotina saudável. Sem exageros, claro. Comer é muito bom, mas existem muitas outras coisas na vida que também são prazerosas. Vamos descobri-las.  





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