DTR ENTREVISTA: DANIELI MACIEL E SEUS 90 DIAS COM 40 PEÇAS

14:38 Rafaela Marreiros 0 Comments


Já pensou na maneira como você consume produtos de moda? Em quantos pares de sapatos, peças de roupa ou acessórios você compra sem realmente precisar daquilo? Já pensou em ficar sem comprar produtos de moda por 90 dias, 6 meses ou um ano? Pois é, eu também não. Mas, aprendemos muito com quem resolveu tomar essa atitude e mudar sua forma de consumir. Confiram, então, uma entrevista super bacana com a fotógrafa Danieli Maciel que um “belo dia resolveu mudar” sua forma de consumir moda. O resultado? Noventa dias usando apenas 40 peças, incluindo calçados, viu?!

Ah, e aguardem que teremos mais entrevistas interessantes como essa na área de moda aqui no DTR.
Stay tuned!
;)



O que lhe motivou a decidir ficar, a princípio 90 dias, sem comprar nenhuma peça de roupa nova?

Bom, no comecinho de tudo, foi para controlar o consumismo que estava me consumindo. E é uma característica muito minha não gostar que nada me domine. Como senti que a coisa estava passando para o nível fora de controle, decidi me auto desafiar.

Durante esses 90 dias, como você se organizou para vestir apenas 40 peças? Quais delas, você as classificaria como essenciais, peças coringas que todos têm que ter na hora de compor seus outfits?

Antes de tudo, foi necessário fazer uma “limpa” no guarda-roupa. Separei o que seria usado, tendo como critério a versatilidade da peça. Depois montei fotinhas com as composições para me guiar durante os 90 dias. Lembrando que 40 peças incluem calçados também. Só não estão inclusas as roupas de casa, a lingerie e as de academia.
As peças curingas, que são justamente as mais versáteis, tem uma característica peculiar, que é a neutralidade da peça. Combinam com quase tudo, pra praticamente todas ocasiões.


Quais peças você deixou de usar ou não usaria mais, após ter selecionado 40 por 90 dias?

Na verdade, esse conceito de guarda roupa cápsula, funciona assim: você escolhe um número X de peças para serem usadas durante um período x de tempo. O restante das roupas que você realmente usa, é guardado para fazer um rodízio após os 90 dias. No momento do rodízio, me dou ao direito de adquirir para reposição, 3 peças novas. Ou seja, tudo o que estava no guarda roupa só fazendo volume e nunca era usado, foi doado ou vendido ou trocado por algo útil. Então, depois dos 90 dias, nada do que ainda tenho não seria usado. Tudo é aproveitado!


Após esses 90 dias, você decidiu manter a ideia de não ficar comprando peças novas só por comprar. Criar essa consciência na hora de comprar qualquer coisa, requer muita análise e tomada de responsabilidade para si enquanto consumidor, já que somos também responsáveis por essa imensa cadeia que o mercado de moda movimenta. Hoje, após sua experiência, o que lhe motiva a comprar uma peça de roupa?

De verdade? Necessidade. 2016 foi um ano de muita aprendizagem, o processo todo começou em 2015, mais esse ano foi de exercício e amadurecimento na hora de adquirir algo novo. Vejo, gosto, mas, a compra só é realizada quando realmente preciso. Não consigo mais ter “mil” saias pretas quando na verdade só uso uma. Não vejo sentido em ter “mil” T-shirt brancas, se só uso uma.

Atualmente, com iniciativas como o upcycling, em que se aproveita algo sem valor comercial que seria descartado e o transforma em algo diferente, com novo uso e propósito, estamos vivenciando um tempo de mudanças no modo de se consumir produtos. Como você vê o consumo de moda daqui a 5, 10 anos? Você acha que até lá, já iremos ter incorporado essa mudança de comportamento de consumo?

Do fundo do coração, eu penso que como coletivo, ainda estamos longe dessa consciência, mas penso que estamos em um caminho bastante positivo. Algumas iniciativas têm ganhado voz e vez e tem ajudado muitos a ter essa consciência desenvolvida. Me preocupa e me importa saber de onde minha roupa e meus calçados vem e para onde vão após eu não querer mais usá-los.
Prefiro pensar que estamos vencendo pequenas batalhas, diariamente, às vezes até tímidas batalhas, mais que juntas, fazem um coro que pode refletir positivamente na forma de consumir do brasileiro daqui a 10 anos, por exemplo.


Eu, particularmente, estou passando por esse processo de conscientização somente agora. E, acho que tomar a responsabilidade para si, no momento de consumir qualquer produto, independentemente de ser um produto de moda, requer conhecimento e informação. Você, procura se manter atualizada no que se refere a novas formas de consumo consciente? Se sim, indique aos leitores sites, blogs ou livros acerca do tema, que possam ajudar aqueles que estão em busca dessa mudança de consumo.

Na verdade, meus 90 dias com 40 peças não mudou meu jeito de consumir, foi o repetir, repetir, repetir, que mudou meu mal hábito. No começo é complicado, tipo dieta, dá vontade de desistir, de comprar, de jacar. Depois de um tempo é que a coisa entra nos trilhos, você percebe o quanto economizou, percebe o que dá pra fazer com a grana que não foi mal aplicada e passa a tomar gosto pela coisa.
A partir do momento em que vi, na real, os benefícios, passei a pesquisar bastante sobre o assunto e estendi o que antes era pra roupas e calçados, pra tudo o que consumo. Adotei um estilo de vida bem minimalista em tudo e me encontrei enquanto consumidora. Leio, pesquiso, observo. E se não concordo, não consumo aquela marca, aquele produto.
Fiz boas leituras no site www.modefica.com.br , www.reviewslowliving.com.br  e no blog da marca vegana Insecta Shoes, http://www.insectashoes.com/



Depois de ter vivido esses 90 dias e ter acabado por adotar esse lifestyle para sua vida, qual o maior aprendizado que você tira de toda essa experiência?

Pesquisar antes de comprar e só adquirir o que realmente se usa.  


Defina em uma frase, o que é moda para você.


É comunicar através do vestir. Diz muito sobre quem você é, sobre o que pensa ou não pensa, é a primeira informação que se passa e a primeira que chega em qualquer ambiente. 

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