DTR FASHION ID: EDUARDO FRANCO

02:35 Rafaela Marreiros 0 Comments


Fazia tempos que queria executar esse projeto e finalmente ele saiu do papel e aqui estamos. Uma série de entrevistas com profissionais da área de moda que possuem um estilo autêntico e que prezam por serem quem são. E, para darmos início a esta série de entrevistas intitulada “ Fashion ID, qual é a sua?”, convidamos o mais novo designer de moda, Eduardo Franco para batermos um papo sobre moda, seu estilo, referências e o que ele pensa acerca disso tudo.
Confiram na íntegra, abaixo.

Fotos e edição: Rafaela Marreiros



Como a moda surgiu em sua vida?
Eu acho que surgiu mais da influência da música pop como Madonna, que foi a primeira referência de moda que eu tive. Eu vi Madonna, aí logo após, eu comecei a enxergar a moda de uma outra forma. Eu lembro que eu tava assistindo, acho que era o Fantástico, e tava mostrando uma semana de moda, se não me engano acho que era Paris. Aí eu vi um desfile do Thierry Mugler, em que a modelo entrava com os seios à mostra, e eu achei aquilo super diferente e libertador, no sentido de que havia uma liberdade na moda a ponto da mulher ser tão livre para mostrar os seios em cima de uma passarela. Então, foi aí que eu comecei a me apaixonar mais pela moda, como liberdade.


Você disse que sua primeira referência de estilo foi a Madonna, só que você é muito fã da Lady Gaga. O que a Lady Gaga representa pra você não só como um ícone de estilo, mas conceitualmente, quando se fala sobre moda?
A Madonna é uma referência totalmente diferente da Lady Gaga. A Madonna já é uma estrela, uma pop star. A Lady Gaga já veio com uma proposta mais conceitual. Eu via a moda e desfiles conceituais e eu tentava imaginar uma mulher que vestisse aquelas roupas e eu não conseguia enxergar. E, quando a Lady Gaga surgiu em 2008 usando aquelas roupas, eu me apaixonei de primeira por ela.

Por, justamente, ela elevar a moda conceitual e fazer com que o mundo, principalmente, o da música, tivesse uma maior atenção para o lado da moda autoral, mais conceitual. Daí ela passou a influenciar outras artistas e também a usar roupas de um estilista que eu já gostava que era o Alexander McQueen, que é a minha maior referência em se tratando de moda conceitual. Então, a Lady Gaga significa isso: liberdade. Ela deu poder às pessoas estranhas. Tipo, ela fez com que essas pessoas tivessem uma identificação com uma artista pop como não se viam como Madonna, Cher e essas outras que tinham um patamar muito acima das pessoas normais. Então, a Lady Gaga já se iguala mais ao resto da população, sendo que qualquer pessoa pode fazer sua própria roupa e vesti-la por mais diferente que seja.


Então, você tem a Madonna, como sua primeira referência de moda, depois vem a Lady Gaga, o que isso te influencia no seu estilo pessoal? A Madonna tem um estilo próprio, a Lady Gaga tem uma pegada mais conceitual; como você aplica isso ao teu estilo bem minimalista de ser?
Eu era muito engessado antes de conhecer a Lady Gaga e a Madonna. Eu seguia muito aquela linha normal de ser igual às outras pessoas. Quando a Lady Gaga surgiu misturando arte e moda, eu vi que era possível eu ser eu mesmo, aplicando minhas referências na forma como eu me vestia, e foi aí que eu entendi que a forma como nos vestimos, diz muito sobre nós. 

Aí, foi aí que eu percebi também que podia ter uma identidade, que eu podia me colocar na sociedade tendo uma identidade para que quando as pessoas olhassem pra mim, elas enxergassem alguma referência, seja de moda, arte ou algum comportamento. Porque eu acho que desde que eu comecei a identificar a moda como comunicação e ainda hoje eu penso da mesma forma, eu acho que é um dever nosso como designers, a gente se comunicar através da roupa e transmitir nossa mensagem. E, também acho que enquanto designers nós temos que vender nosso trabalho a partir da forma como nós nos vestimos e agimos, é mais como comportamento, mesmo.


Pra você, o quanto a música e a moda se intercalam? Porque você tem muitas referências de artistas musicais como Madonna, Lady Gaga, o próprio Rock n’ roll através do Guns n’ Roses. Já que passamos por movimentos como o punk e o grunge, grandes influenciadores da moda dos anos 70 e 90, respectivamente, como você enxerga hoje a influência da música na moda? Que movimento musical atual, talvez, possa vir a influenciar ou que já esteja influenciando a moda de hoje?
Antes, a moda era mais influenciada pelo rock e hoje, já é mais influenciada pelo pop. A maioria das influências musicais que estão inseridas na moda hoje, são referências da música pop como Beyoncé, Lady Gaga, Madonna, David Bowie, que querendo ou não, ele tem uma ligação muito forte com o gênero pop, mas em questão de referência pra mim é mais o rock dos anos 80. Porque hoje, eu não vejo nenhuma banda de rock que surgiu nos dias atuais que prenda minha atenção para eu me inspirar no estilo deles. E, a maioria das bandas de rock que surgem hoje é mais um revival das bandas dos anos 80 como Guns n’ Roses, Journey, U2. Mas hoje, a moda é mais influenciada pela música pop do que pelo rock.


Saindo agora um pouco da seara da música, quais personalidades do mundo da moda que não habitam o mundo da música te influenciam tanto em sua personalidade, talvez, bem como em seu estilo?
Em questão de referência, eu acho que é mais o Alexander McQueen, mas influenciar mesmo no meu trabalho, no que eu faço, é mais Yohji Yamamoto, na questão do que eu crio. E, em questão de personalidade, de quem eu sou, do meu estilo, eu acho que é mais Yves Saint Laurent.

Hoje em dia é muito difícil uma pessoa ter um estilo autêntico, sem copiar outras pessoas, subconscientemente ou conscientemente. Pra você, a palavra “estilo” e “autenticidade” correm juntas ou apenas, paralelamente? (me superei nessa pergunta hahahaha #aloka )
São poucas as pessoas que tem um estilo próprio, porque com esse boom dessas blogueiras, as pessoas estão sendo muito influenciadas por elas e estão deixando de seguir o estilo delas mesmas, de ser fiel ao que se é. Antes, eu acho que tinha mais essa valorização do estilo próprio, hoje as pessoas querem muito se parecer com alguém. Mas, existem as exceções mundo a fora como nessas grandes capitais da moda, onde vemos muito essa questão do estilo próprio de ser. Mas, mesmo assim a maior influência  ainda, hoje em dia, é as bloggers.


Mas, você acha que a autenticidade está aliada ao estilo? Você poderia dizer se dentre essas blogueiras você poderia dizer “poxa, essa tem estilo”?
Das blogueiras não, porque eu não vejo um estilo, uma autenticidade nelas, mas tem uma, (que eu nem sei se pode ser chamada de blogger), a Alexa Chung, que eu acho que é a mais autêntica dentro dessas influencers.

O que é a moda pra você? A gente tenta toda hora desmitificar esse lado fútil da moda de ser só uma roupa para se vestir. O que você diz para as pessoas quando te perguntam “o que é moda”?
Olha a primeira definição de moda pra mim foi comunicação e continua sendo até hoje. Eu acho que a moda é a maneira mais fácil da gente se comunicar com o mundo, visualmente falando. E moda, pra mim, é super importante na questão de eu querer e eu posso mostrar quem eu sou. Acho que a moda está inserida ao que a gente é, uma introspecção de nós mesmos. Você é o que você está vestindo querendo ou não. Então, eu não vejo a moda como uma futilidade, eu vejo mais como uma forma de se comunicar com o ambiente em que eu estou inserido.


E, o que você espera da moda do amanhã? A gente fala de sustentabilidade, de tecnologia, de uma maior consciência de como se faz moda, mas isso já não é o amanhã e sim o hoje, então como você vê a moda para o futuro? O que você espera da moda, em um futuro não tão longe, daqui a uns cinco anos, por exemplo.

Olha, eu não sou muito de esperar pelo que vem pela frente. Há caminhos que a moda está vivendo como uma moda mais sustentável e ecológica, mas eu não sei qual a silhueta, qual o tipo de tecido ou qual a forma vai estar sendo utilizada daqui a determinado tempo. Porque eu acho que a moda é muito presente, é muito o agora. Então, com essa questão dos revivais dos anos 80 e 90, fica muito difícil dizer como a moda vai ser daqui a 5 anos. Eu só acho que pelo o caminho que a moda está trilhando, é uma moda mais sustentável e ecológica, uma moda mais pensada. Acho que as pessoas estão pensando mais em como se vestir, em como comprar moda. Então, eu acho que o futuro da moda é mais sustentável.

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