DTR FASHION ID: GILLES VILLENEUVE

01:03 Rafaela Marreiros 0 Comments


Hello quinta-feira!
Cá estamos mais uma vez, com o segundo post da nossa série DTR Fashion ID. O entrevistado de hoje é, literalmente o meu unicórnio favorito do mundo fashion rs. Autenticidade, personalidade e coragem o definem. Gilles Villeneuve dá o ar da graça mais uma vez aqui no blog (pra quem não lembra do ensaio que fizemos com o tema androginia, cliquem aqui), só, que dessa vez sendo ele mesmo. Esse ser de luz própria que por onde passa chama a atenção e choca a “digníssima” sociedade brasileira, não pelas roupas que veste, mas sim por ousar ser Quem É  em um mundo tão acostumado a te ensinar a ser igual a todo mundo.

Fotos – Rafaela Marreiros
Produção – Andrew Louis & Glaydston Ferreira



Como a moda surgiu em sua vida?
Bem, eu não tinha muitas referências de moda. Minha maior referência de moda era a Lady Gaga. Então, quando eu terminei o ensino médio pensei que precisava fazer algum curso. Porém, não me imaginava em outros cursos a não ser o de Design. Foi, então, quando decidi ingressar na faculdade e no mundo da moda.



Você possui um estilo autêntico e bastante diferente da realidade da cidade onde vivemos. Aqui, quando se “ousa” ser quem realmente é, ou seja, “diferente”, as pessoas já olham pra você como se você não pertencesse ao ambiente. Como você vê e lida com os olhares e julgamentos que sempre fazem, querendo ou não, da roupa que usamos, da maquiagem que colocamos, disso, daquilo, basicamente, tudo que nos destoa do ordinário?
Eu lido (ou tento lidar) de forma normal. Não me recuo e nem me privo de andar como quero por causa dos olhares indiscretos, que não são poucos. Mas claro que há aqueles que de certa maneira incomodam, e não vou mentir; alguns eu retruco veemente. Porém, uma das máximas de ser você mesmo é se aceitar e não ligar para a opinião dos outros.





Como se deu a construção do seu estilo? Que influências do mundo da moda e/ou do entretenimento lhe influenciam ou influenciaram em seu estilo de se vestir?
Como disse anteriormente, nunca tive muitas referências de moda. A minha maior referência é a Lady Gaga (ela,novamente rs). Eu nunca tive ídolos quando menor, e sentia a falta disso. A Gaga surgiu com uma proposta de música e vestimentas totalmente diferentes do cenário da época. Claro que já houve personalidades e cantores com estilos irreverentes no passado, mas não naquela época (2008-2009) onde a comunidade GLBT vinha crescendo e tomando forças. E, foi justamente ela quem deu voz àqueles que se sentiam excluídos e marginalizados pela sociedade. Todo esse empoderamento, e a mensagem dela, me fizeram ver que eu podia ser quem eu era de verdade e que não deveria me calar diante do preconceito. Quando cheguei em Teresina foi realmente o momento onde pude e ousei moldar todo o meu estilo. Livre e longe dos olhares da minha pequena cidade, eu pude ser quem eu sou. Hoje, obviamente, eles comentam entre eles sobre mim, mas são coisas que hoje em dia não fazem a mínima diferença.




Moda é comunicação. A todo tempo nos comunicamos através não só de palavras e sons, mas também visualmente. Ao se vestir, você pensa sobre a mensagem que você quer levar para as pessoas? Se sim, qual mensagem você mais transmite ao se vestir?
SIM! Eu uso a moda como afirmação da minha identidade na sociedade. Eu mostro que eu existo, que também tenho os mesmos direitos que todos. Acredito que através das minhas vestimentas acabo transmitindo também para outras pessoas como eu, que elas podem ousar, ser quem elas são, mostrar que existem e que não devem viver à sombra da luz, pois elas são a própria luz!



Você estuda e trabalha com moda. O que mais lhe fascina na área? Em que carreira você pensa em se especializar quando se formar em design?
Eu gosto de criar, bastante. Talvez a criação. Ultimamente, ando parado por ser um pouco desleixado rs, mas tenho projetos que pretendo executá-los em breve. Eu gosto do meu curso porque ele abrange as áreas de produto, moda, gráfico e interiores. Talvez, futuramente, eu também faça algo no ramo de design de produtos. É uma área que acho bem interessante também, depois da moda, claro!




O que você diria para aqueles que gostariam de se vestir como são, só que são inseguros demais para fazê-lo? O que a moda pode proporcionar, em termos de autoestima e transformação, a esses indivíduos?
Que eles não tenham medo de arriscar, que pensem que a vida, só existe uma e que precisamos ser felizes como quisermos. A moda hoje é muito mais abrangente (eu acho) e seu mercado atinge públicos que antes eram ignorados. Com a globalização e essa onda de aceitação e empoderamento na moda, há muito mais espaço para esses indivíduos. Sua colaboração eleva a autoestima e faz transformação justamente por hoje existir um espaço que antes não havia.




De que forma a moda impacta a sociedade em que vivemos? O que a moda mais mudou em sua vida?
A moda impacta quando ela vem agregada de uma mensagem, quando tem um contexto. Quando ela quebra toda uma estrutura social que é tida como “normal”, como “aceitável”, como “belo”. Quando ela foge dos “padrões” e mostra uma nova visão. Infelizmente, nem todos querem abrir os olhos para ver isso. Ela mudou e muda minha forma de enxergar as coisas, de um jeito que toda minha visão e pensamentos geralmente são diferentes daqueles que se limitam a mesmice. Eu transformo sacolas de compras em bags, e eu acho isso o máximo! Hahahaha






E, por fim, o que é moda para você?
A moda para mim é liberdade, reflexão, afirmação de uma identidade ou cultura através da vestimenta. A moda nos proporciona uma liberdade criativa que pouquíssimas áreas ou quase nenhuma pode nos dar. Para quem entende ou está disposto a entendê-la, ela pode mostrar caminhos que destoam totalmente do senso comum e que fazem transformações no mundo. 



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