DTR FASHION REVOLUTION: QUEM FEZ MINHAS ROUPAS?

14:24 Rafaela Marreiros 0 Comments

Em 2013, um prédio de 3 andares, no qual funcionava uma fábrica de tecidos, desabou em Blangadesh matando mais de 1.000 pessoas, revelando um lado obscuro de uma das indústrias mais lucrativas do mundo. O desabamento revelou, apenas, uma ponta do iceberg das condições precárias em que trabalhadores da indústria têxtil na maioria das vezes se encontram. O episódio do Rana Plaza, assim como ficou conhecido, foi o estopim para o início de um movimento chamado Fashion Revolution que visa chamar a atenção tanto das empresas quanto dos consumidores para uma maior transparência, sustentabilidade e ética dentro da indústria de moda.


Com o movimento veio também a campanha: “quem fez minhas roupas?”  ou, em inglês, “who made my clothes?”.  A pergunta não é à toa. A campanha visa levar os consumidores a questionarem as marcas sobre quem fez suas roupas. Dessa forma, estaríamos demandando uma maior transparência dessas empresas.

O mercado fast-fashion é o alvo principal das condições de trabalho precárias ou análogas à escravidão. Não precisamos ir muito longe como H&M, Forever 21 ou Zara. Em próprio solo brasileiro, muitos já foram os casos de fábricas clandestinas ou condições insalubres ou análogas à escravidão, relacionadas à grandes marcas do varejo nacional. Sem pagar os direitos trabalhistas devidos, muitas contratam imigrantes ilegais, por exemplo, visando o barateamento do produto final. Pare e pense antes de comprar uma blusa por 20, 25 reais em uma dessas grandes redes de varejo, quanto mais barato é o produto, mais caro alguém pode estar pagando por ele. Eu mesma já comprei blusas a esse preço sem antes ter conhecimento sobre a realidade. A última vez que comprei uma blusa nesse valor, eu tinha plena consciência do que estava fazendo e para o que eu estava contribuindo. Foi a única compra que fiz esse ano até o momento. Estou tentando reutilizar as peças que tenho de maneira criativa e dando um novo destino a elas.

Que fique claro que upcycling não se restringe só a roupas. Para criatividade não há limites.
Se você olhar para o seu guarda-roupa verá que possui mais peças do que precisa, mas mesmo assim, acaba sempre comprando mais. Quer comprar mais? Vá em um brechó. Pelo menos você estará dando um novo uso a uma peça que já existe, evitando assim o desperdício e a produção de resíduos. Para se ter uma ideia, a indústria têxtil é a segunda que mais polui o planeta atrás somente da de petróleo.

Dá sim para fazermos nossa parte e existem marcas engajadas no que chamamos de upcycling. Por definição, upcycling seria o processo de transformar resíduos ou produtos inúteis e descartáveis em novos materiais ou produtos de maior valor, uso ou qualidade, ou em outras palavras, o que seria descartado no lixo, vira uma nova matéria-prima.

A marca carioca Re-roupa idealizada por Gabriela Mazepa, tem como core o upcycling transformando o que era considerado resíduo em uma nova peça de roupa. As peças são produzidas no ateliê da marca no Rio, fomentando a participação de costureiras empreendedoras de comunidades cariocas. A marca também promove ações sociais bem como cursos e oficinas promovendo a experiência desse processo.



A gigante Adidas também resolveu investir nesse mercado através da parceria com a plataforma Parley for the oceans. A iniciativa resultou na confecção de modelos da linha ultra boost feitos de 95% de poliéster reciclado a partir de plástico acumulado nos oceanos.



Também falando em calçados, temos a marca vegana gaúcha Insecta Shoes que transforma peças de roupas usadas, além de garrafas de plástico recicladas em lindos oxfords, sandálias, botas e slippers, por um preço justo.



O nosso intuito com esse post é levar informação a nossos leitores de que dá certo sim, consumirmos de forma mais consciente.

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