(D E S) A P E G O: UMA REFLEXÃO

14:10 Rafaela Marreiros 0 Comments

Depois de um longo hiato, necessário e fundamental, estamos voltando. Vestindo outra roupa. Carregando um novo conteúdo. Abraçando um novo propósito e escrevendo em um novo papel. Espere por reflexões, editoriais mais conceituais, pelo inesperado e pela mudança. Sempre bem-vinda. E, em nossa volta, refletimos sobre o apego e o (d e s) a p e g o. Esperamos que não se apeguem às palavras nem aos sentimentos que elas causam. Palavras apenas indicam um caminho. Cada um possui o seu. Desvenda-te.



Desapegar. Desapegar-se. (Des)apegar-se do apego. Apego a algo, a alguém, a um lugar, ao material, a experiências. Fala-se muito do desapego dentro de uma visão egoísta e negativa da vida, misturado a algum tipo de rancor com um tempero de rejeição. Praticam uma cultura de se (des)apegar para evitar a dor. A dor de não poder se apoiar mais naquilo ou naquele em que ou quem você se apegou. O apoio a algo externo a você, que não lhe faz parte. Pois, o apego nada mais é que dependência, diferente do desapego que seria a independência. Não confunda se tornar independente com ser indiferente. Se procurar pela definição da palavra “desapego”, encontrará definições relacionadas à indiferença e ao desamor. Pensava da mesma forma, mas hoje discordo absolutamente. Se desapegar de algo ou alguém requer coragem e amor. Amor por você e pelos outros. Coragem sua para se tornar independente. Coragem para encontrar ou desenvolver pontos de apoios não mais externos, mas internos; em você mesmo. O desapego proporciona àqueles envolvidos uma oportunidade. Oportunidade de se relacionarem de forma mais saudável e positiva, sem haver necessidade de uma dependência, às vezes, doentia. O ato de desapegar-se também inclui um “desapegar” de si mesmo; de facetas, personalidades, gostos, desgostos, de conceitos, crenças e de quem éramos. Desapegando-se do velho, do obsoleto, do que deixamos de ser. Para só então, podermos nos apegar novamente. À mudança, ao novo, ao desconhecido. Gerando, dessa forma, uma “fuga” constante da zona de conforto. Zona que nos conforta, nos acalenta, nos desacelera e nos acomoda. Costumam dizer que é fora da zona de conforto que a vida acontece e adicionaria também, que é na zona de (des)conforto em que a gente (a)cresce. Tendo dito isso, apegue-se. Não a algo, alguém, lugar ou experiências. Apegue-se a você. Ao seu Ser. Pois, se tirarem o algo, o alguém, o lugar ou a experiência, você tem a si mesmo. Seu próprio ponto de apoio. Independente, livre e desapegado do que lhe gera o apego.

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